Crônica 43 – Amuletos e talismãs

59916620_1Amuletos e talismãs

Quem de nós nunca ouviu dizer algo sobre um amuleto ou um talismã? Quem de nós nunca conheceu alguém que tenha um destes objetos? Você tem um? Você acredita neles? Você sabe a diferença entre eles? Um amuleto é utilizado para afastar o mal e proteger o seu usuário e normalmente é algo natural. Já um talismã é utilizado para atrair influências boas para quem o usa e é algo preparado e consagrado dentro de uma seita qualquer.

Desde os primórdios da História, o ser humano procura se defender através do uso de amuletos e talismãs. Encontramos no homem primitivo o uso de garras, dentes e peles de animais, seguidos de pedras pontiagudas, conchas, anéis, etc.. Existiram tribos indígenas que usavam dentes ou dedos de seus inimigos para proteção ou para intimidar seus desafetos. Os egípcios, os romanos, enfim todos os povos recorriam a esta prática de proteção. Na Europa, durante a idade média, usava-se deixar em um local da casa um prego usado em caixão de defunto para afastar a má sorte. Ainda hoje, quantas casas não possuem uma ferradura como símbolo da boa sorte? Existem regiões da Europa em que colocam colares nos chifres das vacas para afastar os perigos. Será que dentro de nossas carteiras não existe nenhum amuleto ou talismã? Círculos, quadrados, triângulos, cruzes, estrelas, luas, números, moedas, notas antigas, dentes de animais, sementes, imagens de santos, escaravelhos, conchas e muitos outros. Pedras, metais desde o latão mais barato até o ouro mais nobre, tudo é utilizado para fazer um amuleto ou talismã.

Já os animais, coitados, estes não usam amuletos ou talismãs. Quem já viu um cachorro do mato carregando um amuleto? Ou um pássaro com um pequeno colar para atrair a boa sorte? Será que tudo isto é privilégio do Homem, que com sua inteligência e pretensa supremacia, sabe como criar proteções e artefatos para atrair a boa sorte? Será que o ser humano possui determinadas crenças e, por conta delas, tem medos? Esta conversa pode até derivar para questões filosóficas profundas, portanto, vamos voltar ao uso dos tais objetos.

Existem também os objetos sagrados, relíquias dos santos e mártires, etc.. Na verdade, tudo isto remete para um ponto em comum que é ter fé. Se você realmente acredita que determinado objeto vai trazer boa sorte, talvez ele realmente o traga, não por ele em si, mas pela sua fé.

Da mesma forma, não adianta carregar o talismã mais poderoso do planeta, se não acreditarmos na sua eficácia, ou seja, se não tivermos fé!

Muitos já ouviram dizer que “a fé remove montanhas”, mas será que remove mesmo? Quantos acreditam de verdade?  Muitos dirão que é impossível, que é um jogo de palavras, que é sentido figurado, etc… Por outro lado, talvez estes mesmos que pensam desta forma, estejam usando amuletos e talismãs neste exato momento.

Usá-los para que? Sem fé, sem acreditar, para que servirão? Servirão somente como um adorno qualquer. Por outro lado, com bastante fé, será que precisamos de amuletos e talismãs? Estamos falando tudo isto e dando uma volta tremenda para simplesmente dizer que um dos grandes problemas do ser humano é simplesmente falta de crença e de fé! Acreditamos no próximo? Acreditamos nos nossos governantes? Acreditamos nos discursos dos candidatos a qualquer cargo eletivo? Acreditamos em todas as notícias que diariamente nos chegam pelos mais diversos meios de comunicação? Acreditamos no que vemos na televisão? O lado ruim disto tudo é que esta crise de falta de credibilidade nos conduz a uma diminuição gradativa da nossa fé.

Acreditamos em pouca coisa e desconfiamos de tudo e de todos!

A nossa crença está muito abalada e as mentiras ganham terreno dia a dia. Começamos a nos acostumar com pequenas mentiras e elas vão aumentando em tamanho e quantidade. Elas se alastram como uma verdadeira praga e vão diminuindo a nossa fé.  Vamos aos poucos, perdendo esta força terrível, que talvez seja a única que pode realmente mudar o curso das coisas. Acreditamos em nós mesmos? Se nem acreditamos em nós mesmos, como resolver esta questão?

Durante o lançamento do meu primeiro livro, escrevi uma simples mensagem: “Um mundo melhor é possível!” Quantos acreditam nisto? Será uma bobagem, uma utopia, uma simples frase de efeito momentâneo sem nenhum significado? Escuto todos os dias alguém dizer que o mundo está ruim, que está pior do que no passado e que o futuro será terrível. Será certo deixar piorar e esperar pela ajuda divina? Neste caso, realmente precisaremos de algumas dezenas de amuletos e talismãs, para nos proteger de nós mesmos!

Vamos acreditar que é possível um mundo melhor! Vamos trabalhar para isto! Como? Cada um de nós encontrará a sua forma. Criando uma aura de otimismo a nossa volta, fazendo pequenas ações que muitas vezes passam despercebidas e, principalmente, evitando fazer o mal a quem quer que seja! A regra é simples: se não puder fazer o bem, pelo menos não faça o mal.

Acredito que alguns leitores irão parar um instante e pensar um pouco sobre estas considerações; também pode acontecer que alguns sintam uma vontade tremenda de fazer algo para tomar parte nesta mudança. Estes terão mais fé e acharão uma forma de transformar o mundo, mesmo que seja só ao seu lado e serão mais felizes, mesmo sem usar amuletos e talismãs!

Crônica 42 – Missas pagas?!

papa-2Missas pagas?!  

Neste mês de Setembro de 2010, entre os dias 16 e 19, o Papa Bento XVI vai estar na Grã-Bretanha, onde rezará algumas missas. Até aí, tudo bem. O que nos causou espanto foi o fato de que os fiéis terão que pagar para assistir as missas! Isto mesmo. A mais barata será uma missa campal realizada no Hyde Park (um parque ao ar livre de Londres) e o ingresso custará 5 libras (R$14,00). Em Glasgow na Escócia custará 20 libras (R$ 55,00) e a mais cara será em Birmingham, no centro da Inglaterra ao preço de 25 libras (R$ 70,00).

O Vaticano diz que é “uma simples contribuição para as despesas gerais” e quando foi questionado pelos próprios padres de inúmeros países, preferiu o silêncio.

É estranho, pois numa época em que a Igreja Católica perde mais e mais adeptos a cada ano, uma medida descabida destas fatalmente afastará ainda mais aqueles que pensarem sobre o assunto.

Esta medida descabida nos faz voltar aos primórdios da igreja católica, quando no ano de 593, o papa Gregório criou a doutrina do purgatório e criaram missas pagas para aliviar o sofrimento das almas que lá estavam. Por volta de 1.150 criaram as “indulgências” com o fim de reduzir o tempo no purgatório. Naquela época começaram a vender relíquias entre elas “pedacinhos da cruz de Cristo”. O dominicano João Tetzel ficou famoso por negociar documentos de indulgências da Igreja, alguns deles dando o direito antecipado de pecar.  Em 1410 o papa João XXIII (não confundir com o papa João XXIII mais recente) cobrava impostos dos prostíbulos, os quais faziam parte do orçamento do Vaticano.

O papa Leão X continuou com as “indulgências” e em 1518 utilizou cofres nas igrejas com os dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso”!

Quanto às finanças atuais, em Julho o Jornal do Vaticano divulgou algumas cifras referentes ao balanço de 2009:

Receitas de 2009 = 250 milhões de euros (R$ 570 milhões)

Despesas de 2009 = 254 milhões de euros (R$ 580milhões)

Receitas do Óbulo de São Pedro (donativos destinados ao papa) = 65 milhões de euros (R$ 150 milhões)

Receitas das dioceses = 25 milhões de euros (R$ 57 milhões)

Embora não se tenha o número certo, estima-se que o patrimônio da Santa Sé é acima de 15 bilhões de euros (35 bilhões de reais) entre investimentos em bancos, seguros, participações em empresas de produtos químicos, aço, construção civil, imóveis e obras de arte. Além destes investimentos, existem todas as terras por todo o mundo, das quais não temos os valores.

Estes números mostram que não seria necessário cobrar ingresso para as missas do Reino Unido e imagino que qualquer cristão, independente de ser ou não católico, irá questionar esta decisão.

A Igreja perde seus fiéis a cada ano e passa por uma forte crise moral, com recentes escândalos de pedofilia por todo o mundo e tendo que pagar pesadas indenizações e ações judiciais. Neste cenário conturbado imagino que a celebração de missas pelo papa seria um bom momento de ganhar adeptos e não de aumentar a distância entre os fiéis e a Igreja. Pagamos ingressos para shows, onde se remunera o artista, mas acho que não deveria ser o caso. Espero que, até o dia destas missas, uma luz ilumine os mandatários políticos da Santa Sé e cancelem o pagamento de ingressos, para o bem daqueles poucos que acreditam e gostariam de estar perto do papa durante uma missa e não tem dinheiro para pagar por este privilegio.

Crônica 41 – Receita da ONU contra a fome – Comer insetos

insetos 

Em Fevereiro de 2010 falamos sobre a Fome no mundo e mostramos que de acordo com a FAO (Food and Agricultural Organization) órgão das Nações Unidas, tivemos em 2009, mais de um bilhão de pessoas no mundo passando fome.  Esta sem dúvida é a maior vergonha para o planeta. Também de acordo com a ONU e a UNICEF, temos entre 9-10 milhões de pessoas que morrem de FOME por ano, sendo a principal causa de mortalidade no mundo. Vamos reproduzir o quadro já publicado para lembrar nossos leitores sobre esta vergonha do nosso mundo.

 

Causa de mortes

no mundo

 

 

Mortes

por ano

 

Mortes por dia

 

Mortes

por hora

FOME

9-10 milhões

26.000

1.100

 A fome é como uma doença que afeta uma classe bem definida: aquela que não tem o mínimo recurso para pagar pela comida! Ela não afeta todas as classes da sociedade e nem todos os países.

 Continuando, a ONU e a FAO divulgaram recentemente, um documento incentivando a população ao consumo de insetos, pois além de altamente nutritivos, ainda vão colaborar com a melhoria das colheitas, já que grande parte é perdida pelos insetos. Este documento de autoria do professor Arnold van Huis, da Universidade da Holanda e consultor da FAO e da ONU, diz que comer insetos tem muitas vantagens como o alto nível de proteínas e vitaminas. Diz ainda que existem muitos países onde já se comem insetos sem nenhum preconceito. Vai além e compara com a gastronomia de países ricos onde se come camarão em restaurantes finos, o que, na sua visão, nada mais é do que um tipo de inseto. Diz que no futuro não haverá carne para todos e a saída é disseminar o consumo de insetos, prática atualmente comum entre os que não têm o que comer. O problema na essência é a falta de condição mínima para comprar comida, seja carne de frango ou de verme. Isto hoje já é desta forma, ou seja, países paupérrimos comem insetos porque não tem condições de obter coisa melhor. O problema é que esta miséria institucionalizada é aceita e, portanto, vamos fazer fazendas de vermes para os que não têm condições de pagar por um alimento melhor. Não questiono o valor nutricional dos insetos ou a intenção de dar um alimento para quem nada tem, mas o princípio da desigualdade. Sei também que sempre foi assim, mas não concordo que tenha que ser desta forma no futuro. Algo tem que mudar neste mundo! Temos que acabar com a miséria e não criar mecanismos para perpetuá-la. Eu não consigo imaginar um futuro com carnes nobres para os ricos e insetos para os pobres, apesar de saber que hoje é desta forma.

Este estudo também propõe a criação de “fazendas de criação de insetos” para o consumo humano nos países pobres e sugere que se vá adicionando pouco a pouco os insetos misturados com carnes de frango ou outras, para criar o hábito e abaixar o custo das refeições. São citados alguns locais onde já se comem insetos, como um exemplo para o mundo:

Tailândia – formigas e besouros

Colômbia – formigas fritas

Nova Guiné – sagu de larvas

África – cupins e vermes de todos os tipos

Japão – larvas diversas

México – minhocas e gafanhotos fritos

Cambodja – aranhas tarântulas empanadas e fritas

África do Sul – mingau de gafanhotos

Já nos EUA, Europa e países ricos, comem-se camarões!

 Vejo que o problema essencial é a miséria e o tremendo desnível econômico entre os homens, que faz com que alguns tenham que se alimentar de insetos por não ter condições de comer algo melhor. Neste momento sinto muito nojo! Não dos insetos, mas sim dos homens que dirigem o mundo, convivem com estas desigualdades e se preocupam com sua perpetuação.

Crônica 40 – Considerações sobre um arbusto

Arbusto-1Considerações sobre um arbusto

Um sinal de otimismo

Era um final de tarde quente e o trânsito estava todo congestionado. Para quem mora em uma grande cidade como São Paulo, esta é uma cena comum e não significa nada mais do que um dia normal na hora do “rush”. Era uma movimentada avenida, ao lado do rio Tietê, que já foi um rio limpo e onde os casais passeavam em pequenos barcos nos finais de semana. Hoje, coitado, na zona urbana da grande São Paulo, é simplesmente um volume de água suja e fétida, onde não se percebe movimento algum e classificado pelos especialistas como um rio sem vida.

Em cima deste símbolo da ignorância humana, um extenso viaduto já corroído pela ação do tempo e mostrando em algumas partes a ferragem já enferrujada. Toneladas de ferro e concreto, que um dia foi o orgulho de seu construtor e que hoje, também já dá mostras de cansaço e falta de vida. Um prédio tem vida? Da forma como entendemos, não. Uma construção não tem vida. Ela somente tem uma história e é testemunha muda de fatos que ocorreram ao seu lado.

Mas, voltemos ao início: um rio sem vida, uma construção deteriorada, um dia de calor, um trânsito caótico, milhares de seres estressados em seus carros e, como tempero para esta salada insólita, o cheiro de água podre.

Será que o ser humano tem como reverter tanto estrago feito neste mundo? Será que existe realmente vontade de mudar o rumo das coisas? Será que todos pensam que um rio estragado não fará realmente diferença? Será que o empresário que polui e estraga o meio ambiente, acredita não ter problemas para ele e seus filhos por morar distante, não beber da água daquele rio e não respirar do mesmo ar que sai sem controle das chaminés de sua empresa?  É certo achar que tudo vale em nome do progresso, até destruir quem só nos ajuda? O fim justifica os meios? É certo fazer algo errado, contra a Natureza, sob a alegação de que isto vai trazer algum tipo de benefício para alguém? Este é um pensamento de curtíssimo prazo e de absoluta falta de inteligência, acreditem. Precisamos parar de pensar só no curto prazo. Não estamos acostumados a pensar nas próximas décadas, na qualidade de vida futura e muito menos com a preservação da espécie.  Por outro lado, será que não temos sinais evidentes de que o futuro da raça humana está sendo comprometido neste exato momento? Será que não estamos exatamente na “hora da virada”?

Existem os pessimistas que dizem que o Homem está fadado a ter um final infeliz e alegam que ele carrega uma carga destrutiva tão grande, que um final catastrófico é inevitável.

Mas, vamos voltar à cena inicial, ao rio sem vida, ao viaduto deteriorado, ao cheiro fétido. Subitamente, uma cena aparentemente sem nenhum atrativo chama a nossa atenção: um lindo arbusto nascendo por entre uma das inúmeras rachaduras do viaduto! Um olhar mais atento e vemos dezenas deles, surgindo vitoriosos por muitas das pequenas fendas de concreto. Sem terra, num ambiente altamente poluído, respirando gases dos escapamentos dos veículos dia e noite, sem ninguém cuidando deles e, de acordo com os pessimistas, sem chance de vida. Mas, contra toda a lógica humana, lá estão eles, cheios de vida, brotando de dentro do concreto, dando uma mensagem clara de otimismo e de confiança no futuro. Um pequeno recado da Natureza para todos os homens que enxergam e que entendem o que está acontecendo. Diz o ditado: Quem tem ouvidos, que ouça; quem tem olhos, que veja!  A maior força deste mundo está conosco!  Não estamos sós nesta batalha. O Homem tem um aliado cuja força ele nem imagina existir. A Natureza quer nos ajudar, ela renasce das cinzas e dignifica um mundo corrompido. Ela está com as mãos estendidas, disposta a cooperar para fazer deste mundo um lar digno de deuses! Nunca teremos um aliado tão fiel e tão bondoso e, graças aos céus, vemos crescer esta consciência em todos os cantos do planeta. As mensagens estão por todos os cantos, para todos, sem distinção e cada qual à sua maneira, poderá despertar para esta realidade. Como não ser otimista quanto ao futuro, com uma força deste tamanho nos ajudando? Somente se todos ignorassem esta realidade e ninguém percebesse nenhum sinal, somente assim, a Terra seria um dia uma lenda! Mas, não é o que está acontecendo. Estamos vendo cada vez mais seres humanos se preocupando e começando fazer um pouco, não por si, mas pelo futuro da raça humana.  Por esta razão, sou otimista quanto ao destino final e acredito que um dia, o Homem ocupará seu lugar de direito neste imenso Universo. Se imaginarmos que exista somente um ser humano em cada trezentos, já pensando desta forma e fazendo sua parte, já somos mais de vinte milhões no mundo. Como saber de tudo isso, como ter esta certeza? Eu diria que basta olhar com atenção um arbusto lindo crescendo do meio de uma rachadura no concreto de um viaduto corroído pelo tempo, ao lado de um rio sem vida, poluído e mal cheiroso, num dia quente de verão e parado no meio de um congestionamento em uma das maiores cidades do mundo. Os sinais desfilam ao nosso lado todos os dias! Basta olhar e enxergar de verdade, com outros olhos. Depois é só começar a trabalhar.

Crônica 39 – O petróleo continua jorrando no Golfo

passaros no golfoO petróleo continua jorrando no Golfo!

Desde o dia 20 de abril vaza petróleo sem cessar no Golfo do México! No início falaram que eram 5.000 barris por dia; pouco tempo depois, este número subiu para 20.000 e hoje falam em mais de 50.000 barris por dia. Isto significa um vazamento de 8 milhões de litros por dia! Ao que tudo indica o vazamento está aumentando e os Estados Unidos já anunciaram ser o maior desastre ecológico dos EUA. Estão enganados, pois é o maior do mundo e não dos EUA!

Alguns especialistas dizem que a pressão do petróleo que está saindo do fundo da Terra está altíssima e continua aumentando; esta situação faz com que a cada novo dia, este poço fique mais difícil de ser fechado. Também dizem que uma explicação para tamanha pressão interna é a existência de uma grande bacia de gás metano, que está impulsionando o petróleo para fora. Se este bolsão de metano explodir, poderá gerar várias ondas gigantes ou tsunamis de enorme intensidade.

A empresa inglesa BP está perfurando em ritmo acelerado um novo poço ao lado, numa tentativa de aliviar essa pressão e, se tudo der certo, acreditam estancar o vazamento em agosto. Esta parece ser a última tentativa e caso não funcione, não sabem mais o que fazer.

Para piorar a situação, existem indícios de que várias fissuras já apareceram mostrando vazamentos menores ao lado do foco principal e a cabeça do poço está sendo destruída pela força do petróleo que sai. Se isto acontecer o buraco aumentará significativamente e irá agravar ainda mais a situação. Alguns especialistas alegam que neste caso, a última alternativa será explodir uma bomba nuclear de baixa potência no centro do vazamento, numa tentativa de derreter as rochas e fazer com que elas tapem o buraco.

Outra teoria diz que este vazamento somente será estancado quando o petróleo sair todo para fora, a pressão diminuir e permitir que a água entre no buraco para fechá-lo normalmente. Neste caso o vazamento será tamanho, que contaminará todo o oceano, sem contar que este vazio será preenchido por água e lama o que irá gerar uma movimentação no fundo do mar sem precedentes.

Os EUA deveriam aceitar toda ajuda possível, independente de qualquer ideologia, pois o problema não está restrito à costa americana. Alguém precisa fechar este buraco, não importa quem. Pode ser americano, inglês, iraniano, brasileiro, não interessa a nacionalidade ou o credo. É a Terra que está em jogo. É tempo de humildade e união frente a um problema maior! Talvez seja a chance de o mundo se unir e mudar conceitos. Talvez seja um grande teste para ver se a estupidez humana consegue ter um fim ou se os homens preferem morrer a admitir um erro. Uma coisa é certa: o mundo nunca mais será o mesmo após 20 de abril de 2010, dia em que o Homem conheceu este sinistro buraco aberto pela irresponsabilidade e ganância humana.

Para os que gostam de profecias, é curioso lembrar o segundo e o terceiro dos sete flagelos que está descrito para o final dos tempos, de acordo com o livro do Apocalipse:

“Derramou o segundo anjo a sua taça no mar, e, este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar”.

Vocês sabiam que o sangue de uma pessoa morta fica preto e viscoso em pouco tempo? Ele fica como se fosse petróleo! Interessante…

“Derramou o terceiro anjo a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e elas também se tornaram em sangue”. Isto é uma extensão normal da destruição dos mares, que em seguida atinge os rios. Aliás, o petróleo oriundo deste vazamento já pode ser visto na foz do rio Mississipi, o segundo maior rio dos EUA.

Curiosidades a parte, o fato é que este buraco precisa ser fechado. Por outro lado parece que, neste momento, a maioria dos países está muito mais preocupada com a Copa do Mundo na África do Sul e toda a imprensa mundial gasta mais tempo falando sobre jogos de futebol do que de uma tragédia desta envergadura. A Copa acabou dia 11 de julho, mas o buraco continua aberto e todos devem saber que, dependendo dos desdobramentos desta tragédia, talvez até a próxima Copa seja comprometida.

Crônica 38 – Vampiros e Alquimistas

lestatVampiros e alquimistas

Vampiros! Quem nunca ouviu falar nestes seres estranhos que povoam as lendas de todo o mundo? Nunca saberemos ao certo se realmente existiram em algum local do passado ou se foram lendas que sobreviveram aos séculos. O que constatamos é que certos mitos tem o poder de atravessar fronteiras inimagináveis sem mudar a sua forma primitiva. O vampiro, tendo existido ou não, tem este poder! Ele não se modificou, não desapareceu nas cinzas do tempo e chegou até nossos dias. Ele sobreviveu às santas cruzadas e às fogueiras da inquisição. Ele passou por duas guerras mundiais, e caso aconteça uma terceira, ele é um sério candidato a ser um sobrevivente. Ele passou por tudo isto e pode ser encontrado hoje na Internet e em inúmeros filmes de sucesso da mesma forma que era visto nas antigas carruagens da Transilvânia.

O que tem este ser de tão extraordinário, para cativar o nosso pensamento? Será ele o elo perdido entre o homem mortal e o imortal? Será a ânsia do homem em voltar um dia a ter algo que sente ter perdido ao longo de sua existência?

Vampiro! Ser enigmático que pode representar o verdadeiro mal para muitos, mas que traz dentro de si o dom da imortalidade e do poder que a humanidade tanto busca.

E os antigos alquimistas? Estes enigmáticos estudiosos precursores da Química passaram a vida procurando o elixir da imortalidade e a pedra filosofal que teria o poder de transformar tudo no mais puro ouro. Na verdade, o que buscavam realmente era a sua transmutação pessoal e, com ela, a imortalidade e uma forma de deixar de lado a condição de pobres humanos, cheios de fraquezas e doenças. Eles buscavam o poder.

Vemos ao longo da História o mito do vampiro, o famoso imortal amaldiçoado e o alquimista, pobre mortal obstinado a desvendar o código da imortalidade. Na verdade, um busca o que o outro já possui e nesta busca, nenhum deles é feliz!

No fundo, os vampiros e os alquimistas talvez tenham tido algo em comum. Talvez a mesma chave que abre as portas para a imortalidade, também deixe à solta uma maldição. Talvez o preço a ser pago pelo milagroso elixir da vida eterna seja alto demais e, quem sabe, os vampiros já tivessem sentido seu sabor.

Os séculos se passaram e ambos desapareceram ou se esconderam dos simples mortais.

Vejam quanta poesia nesta questão! Alguns poucos imortais, carregando uma maldição, temidos e odiados pela grande maioria dos seres comuns e outros poucos mortais, na busca desesperada da chave mágica para o elixir da longa vida!

Vampiros e alquimistas! Será que ainda existem? Supondo que sim, onde estarão? Estarão misturados nas multidões das grandes cidades ou morando normalmente ao nosso lado? Estarão perdidos em suas buscas, recordações e alheios a tudo? Estarão simplesmente assistindo aos nossos dramas e aguardando?

Vampiros e alquimistas! Terão um dia se encontrado? Se um dia qualquer aconteceu este encontro, podemos imaginar um diálogo entre eles:

Vampiro! Você tem aquilo que eu tanto busco! Por outros caminhos, por maldições, não importa! Você a tem! Diga-me, qual é a senha para abrir esta porta?

Para que você a quer, Alquimista? O que pensa fazer com ela, caso a encontre? Eu a tenho e não sou feliz! Eu vivo buscando a paz, mas ela não me é concedida. Talvez em outra época, outro mundo, a imortalidade seja uma benção, mas hoje eu ainda sou muito humano para possuí-la, entendê-la e carregá-la! Eu sou um infeliz, apesar de imortal e poderoso! Eu busco a paz da morte e a benção do esquecimento. Busque outras coisas, busque viver melhor, busque a felicidade, não importa se por pouco tempo! A imortalidade com doenças, inimizades, desigualdades e fome ao seu lado é um castigo! Todo meu poder é o verdadeiro inferno, acredite! Eu sei do que falo Alquimista! Viva! Viva bem, intensamente e descanse quando chegar a hora.

O Alquimista pensou longamente antes de responder:

Você tem razão! Eu nunca tinha pensado desta forma! Começo a ver por outros olhos e de uma forma diferente. Eu estava enganado e você me mostrou o erro! Você me abriu as portas para a verdadeira busca! Agradeço suas palavras e espero que encontre a felicidade um dia, meu amigo!

Assim seja, Alquimista! Que possamos nos encontrar novamente em alguma outra vida, outro mundo, quem sabe? Adeus, Alquimista! Boa sorte na sua nova busca!

Adeus, meu amigo! Boa sorte para você também!

Besteiras? A História nos mostra alquimistas procurando a imortalidade e algumas lendas sobre vampiros imortais e o que se sabe é que ambos desapareceram. Só isto, nada mais. Se existiram algum dia e se houve este encontro, não importa; o que interessa na verdade é o ensinamento que ficou deste diálogo insólito, seja ele real ou imaginário.

Crônica 37 – Recall do ser humano

recallRecall do ser humano

Recall é uma palavra inglesa que significa “chamar de volta” ou “recolha de material”, geralmente ocasionado pela descoberta de problemas relacionados com o produto. O recall é uma tentativa feita pelo fabricante para limitar a responsabilidade por negligência corporativa e evitar danos à empresa fabricante e obviamente aos que estão em contato direto com o produto. Geralmente envolvem a substituição do produto recolhido ou o pagamento dos danos causados pelo uso do produto defeituoso, ou ambos. Às vezes é feito com grande alarde, para dar a impressão de que é uma indústria séria, que reconheceu seu defeito e tomou as devidas medidas corretivas e às vezes é feito na calada da noite, sem nenhum alarde ou notas na imprensa, para não causar perguntas incômodas. Na verdade, a própria decisão de fazer um recall passa por uma análise criteriosa de perdas e ganhos.

No Brasil, os recalls ficaram conhecidos principalmente através da indústria automotiva e logo se estenderam para praticamente todos os segmentos do mercado. Exemplos de recalls mais recentes são de carros diversos, brinquedos, embalagens, alimentos contaminados, medicamentos, vacinas, carrinhos para transportar bebês, etc.. O último recall que vimos foi da rede McDonald’s, que está retirando do mercado americano 12 milhões de copos de vidro com desenhos do filme Shrek, pois os desenhos das figuras contém cádmio, um metal sabidamente tóxico e cancerígeno.

A cada dia, vemos um novo tipo de recall pelo mundo, mas existe um em particular que pode estar em andamento e que ninguém percebe ou divulga: É o recall do ser humano!

Sem dúvida existem lotes defeituosos na praça, pela simples constatação do aumento de problemas pelo mundo, como por exemplo: uma falta de respeito generalizada, pedofilia e criminalidade crescente, novas drogas mais potentes e populares a cada ano, desprezo pela vida em geral, ataques ao planeta de todos os lados, como o recente e ainda em curso vazamento de petróleo no golfo do México, desmatamentos, contaminação química de todos os tipos, alimentos geneticamente modificados, doenças criadas em laboratórios, e um sem número de desmandos feitos pelo homem. Se considerarmos o homem como um produto, sem dúvida, é um produto perigoso não só para si próprio como para todas as espécies do planeta e também para a harmonia do sistema. Dentro desta lógica, está na hora de se fazer um recall do produto ser humano, para o bem geral dele mesmo e de todas as espécies.

Os religiosos podem dar outra conotação, chamar este evento de juízo final, apocalipse, final dos tempos, e assim por diante, mas para aqueles que gostam de termos mais técnicos, podemos dizer simplesmente que está na hora de fazer um recall, pois o mercado já está ciente da existência de lotes defeituosos que exigem um reparo por parte da empresa responsável.

Talvez este recall já tenha iniciado e ainda não tomamos consciência de sua existência, pois sua divulgação segue outros padrões e estamos muito desatentos. Tanto isto é verdade que muita gente nem sabia do recall dos 12 milhões de copos do McDonald’s.

Crônica 36 – 20 de maio de 325 – O 1o. Concílio de Nicéia

2446_concilioniceia_jkjkj20 de maio de 325 – O 1º. Concílio de Nicéia

Um pouco de história religiosa

Talvez poucos saibam, mas a data de 20 de Maio é especialmente importante para a Igreja católica romana. Foi em 20 de Maio de 325 que aconteceu na cidade de Nicéia, perto de Constantinopla, o primeiro evento ecumênico que daria origem a religião católica.  Na época, o imperador de Roma, Constantino, estava com o império em crise e viu que uma aliança com os cristãos seria uma oportunidade de consolidar e aumentar seu poder entre os povos. Foi quando decidiu fazer do cristianismo a religião oficial do império. Em 313 DC promulgou o édito de Milão ou Édito da Tolerância, onde acabou com a perseguição religiosa aos cristãos. Este édito foi sancionado por Constantino (tetrarca do Ocidente) e Licínio (Tetrarca do Oriente). Um pouco mais tarde Licínio dispensou o seu exército e seus políticos de seguirem este édito, fazendo com que inúmeros cristãos perdessem suas propriedades e a vida. Por volta de 324 DC Constantino ganhou uma batalha contra Licínio, ordenou sua execução como traidor e se tornou imperador de todo império romano. Constantino sempre foi um grande político e teve a ideia de se unir ao cristianismo para ajudar a consolidar seu império. Nesta época os religiosos ficaram isentos de pagar tributos e ele construiu templos suntuosos para que os fiéis também pedissem prosperidade para o império e para o imperador. Foi o primeiro passo da Igreja-Estado ou Igreja-Império, porém existiam muitos textos religiosos e alguns conflitantes entre os povos de seu império, o que prejudicava a própria expansão da igreja. Foi neste ambiente confuso que ele convocou no ano de 325 DC o 1º. Concílio Ecumênico, com o objetivo de se criar regras únicas para a Igreja Romana, tomando os devidos cuidados para que estas viessem ao encontro de seus interesses. Era necessário criar uma versão única ou oficial e foi o que Constantino fez. Ele convocou bispos e representantes religiosos de todas as províncias para o palácio de Nicéia e proporcionou toda espécie de mordomias aos participantes. O bispo de Roma, São Silvestre, não pôde comparecer e enviou dois representantes, os presbíteros Vito e Vicente. O imperador colocou o bispo Ósio de Córdoba como seu representante e o próprio Constantino presidiu todas as decisões importantes. O Concílio se iniciou em 20 de Maio com perto de 318 representantes da igreja e terminou em 19 de Junho, com menos participantes. Questões doutrinárias passaram a ser discutidas como questões de Estado e as controvérsias não eram aceitas. Alguns debates mais importantes foram a definição da divindade de Cristo e da Santíssima Trindade, expressos no Credo que até hoje é professado e os bispos que se opuseram foram mandados embora do concílio e exilados.

Também foi decidido oficializar o dia de descanso semanal no domingo ao invés do sábado, como era anteriormente e mudar a data de comemoração da Páscoa, que era comemorada na mesma data da Páscoa dos judeus. Uma das mais importantes decisões foi a oficialização de um cânone novo, somente com os evangelhos aceitos como verdadeiros. O Novo Testamento ficou com somente quatro evangelhos, ou seja, Marcos, Lucas, Mateus e João. Existem várias versões sobre a escolha destes evangelhos e a mais aceita conta que como não chegavam a um acordo os bispos foram convidados a deixar no chão todos os evangelhos, se recolher aos seus aposentos e ficar em orações até o dia seguinte. A sala foi trancada e somente o imperador ficou com as chaves. No dia seguinte, os quatro evangelhos já mencionados estavam em cima do altar, numa clara evidência de que tinham sido escolhidos pela vontade divina durante a noite. Ninguém podia evidentemente questionar a vontade divina ou a palavra do imperador. Os outros evangelhos foram considerados apócrifos, hereges, queimados e banidos de todo reino. Da mesma forma, quem fosse pego com um exemplar, seria condenado à morte e seus bens confiscados para a nova Igreja-Estado.

Agora, recentemente, em 1945, foram encontrados vários evangelhos apócrifos cristãos produzidos entre os anos 100 e 200 DC, nos manuscritos do Mar Morto, que mostram outras versões interessantes sobre este período da História. Temos como exemplos, o evangelho de Tiago, Tomé, Judas e muitos outros que viveram na época de Cristo. O interessante é que esses relatos destoam dos oficiais que aparecem na Bíblia. Neles, Jesus tem um lado humano diferente, Madalena é uma grande líder, Judas não é o traidor e Deus é um princípio masculino e feminino. A respeito destes novos evangelhos, o padre e teólogo Luigi Schiavo, professor de Ciências da Religião da Universidade de Goiás disse: Estes evangelhos representam outro cristianismo e têm grande valor histórico e religioso pois mostram novas interpretações sobre a figura de Jesus na origem do cristianismo”.

Um ano após o concílio, o imperador mandou matar seu filho Crispus, o marido e o filho de sua irmã e matou sua mulher Fausta. Ele retardou o seu batismo até as vésperas de sua morte, pois diziam que o batismo o livraria de todos os pecados cometidos antes deste ato. Após sua morte, em 337 DC, foi enterrado com honras de quem se tornara o 13º. Apóstolo. Ele foi representado na iconografia eclesiástica recebendo a coroa diretamente das mãos de Deus, tamanha sua bondade e trabalhos para a Igreja.

Crônica 35 – Vazamento de petróleo no Golfo do México

Vazamento de petróleo no Golfo do México

Um convite à reflexão

Neste último dia 20 de Abril, na costa do estado norte americano de Lousiana, a torre de perfuração de petróleo Deepwater Horizon operada pela multinacional britânica British Petroleum ( BP) explodiu e pegou fogo. No incidente morreram 11 funcionários da empresa e 17 estão gravemente feridos. Dois dias depois, a plataforma afundou e se transformou em um dos maiores acidentes ecológicos do planeta. A instalação está quebrada e até hoje já se passaram vinte dias que o poço encontra-se aberto a uma profundidade de 1,5 km, despejando diariamente perto de 5.000 barris ou 800 mil litros de petróleo no mar. Evidente que uma instalação deste porte tem uma série de dispositivos de segurança, mas todos falharam e a desgraça está feita. Apesar de todos os esforços para deter o vazamento, ele continua desafiando toda a tecnologia da indústria petrolífera.  Um dos representantes da BP falou que em tese, é tudo bem simples e bastaria fechar uma válvula de segurança e o vazamento seria detido. O único problema é que esta válvula está a 1,5 km de profundidade e não conseguem fechá-la. O acionamento automático falhou e manualmente não conseguem devido à profundidade. Até agora não foi explicado o motivo do acidente, mas o governador do Texas, Mr. Rick Perry, disse que o desastre pode ter sido um “ato de Deus”, e que isto quer dizer que “ninguém sabe o que aconteceu”. A tragédia está tomando uma proporção tão apocalíptica, que até uma estatal petrolífera iraniana já ofereceu ajuda e assistência para deter o vazamento, que irá atingir os Estados Unidos, o maior inimigo da República Islâmica. Vejam a ironia da situação: O Irã, que está sofrendo sanções dos EUA por seu polêmico programa nuclear, oferecendo ajuda para evitar uma desgraça maior ao próprio EUA. Na verdade, eles sabem que este desastre terá consequências mundiais e não está restrito ao Golfo do México ou a costa americana. Os ambientalistas também estão preocupados com o fato de estarem despejando milhões de litros de solventes no mar, numa tentativa de diluir o petróleo. É uma espécie de sabão que quebra o petróleo em partículas menores e favorece a sua dispersão ou a sua ingestão por bactérias. O problema é que estes diluentes são tóxicos para muitas espécies da vida marinha e podem vir a entrar de uma maneira desastrosa na cadeia alimentar e terminar causando problemas ao próprio homem no futuro.

De acordo com todas as notícias, o maior complicador do problema é o fato deste vazamento estar a uma profundidade de 1,5 km, o que dificulta todas as operações normais, até o simples fechamento de uma válvula. Isto nos faz pensar nas dificuldades e principalmente nos perigos de se operar extração de petróleo em poços profundos e nos leva naturalmente à nossa exploração do Pré-sal nas costas brasileiras, onde as jazidas de petróleo estão em profundidades entre 5 a 7 km. Se não estamos conseguindo deter um desastre a 1,5 km de profundidade, podem imaginar algo semelhante acontecer em locais quatro vezes mais profundos?

Espero que todos os responsáveis conheçam a fábula do aprendiz de feiticeiro e que não liberem forças das quais não tenham o domínio completo. Caso contrário, na primeira emergência, vamos pagar muito caro por esta falta de controle da situação.

Crônica 34 – O renascer de Marysville ou Um tributo à Natureza!

Melbourne 2010 - 1294Em Fevereiro de 2009 escrevi um artigo sobre a destruição da pequena vila de Marysville que fica a 100 km da cidade de Melbourne, no sul da Austrália. O fogo começou na base da floresta e se alastrou por quilômetros devastando tudo na sua passagem. Foram praticamente dois meses até que finalmente conseguiram apagá-lo. Para se ter uma idéia, o incêndio consumiu 4.500 km² de mata virgem, com um total de mais de 300 mortes. Só na região de Marysville, foram queimados 1.500 km² de florestas, uma área equivalente a 40 km de cada lado. No meio desta floresta, a vila de Marysville, com seus 600 habitantes, foi praticamente toda destruída e nesta região foram encontrados perto de 150 corpos carbonizados.  A velocidade do fogo chegou a 100 km por hora e quem estava no seu caminho não teve como escapar. Dezenas de turistas morreram dentro de seus veículos ao longo das estradas que cortam esta área e animais de todas as espécies foram encontrados carbonizados. Agora, passado um ano da tragédia, tivemos a oportunidade de ir até Marysville e ver de perto o seu renascer. Foi exatamente no período da Páscoa, e pudemos entender a profundidade da palavra “renascer”. Não só os homens estão reerguendo suas casas, mas também a natureza mostra sua capacidade de renascimento de uma forma comovente. Você fica sem palavras ao ver milhares de troncos queimados, totalmente pretos, com uma casca de cinzas e pequenos ramos verdes brotando por todos os lados. É um espetáculo do renascer da vida inesquecível! É a prova mais eloqüente do poder da natureza e de que tudo é uma questão de ciclos. Depois de toda a devastação, vem o renascer! Depois da morte, vem a vida! A sensação ao ver e sentir o pulsar deste renascer é indescritível. Você vê não só com os olhos, mas também com o coração. Evidente que muitas árvores caíram, seus interiores foram todos destruídos e nestas não se vê uma folha nova sequer, mas ao lado, sempre temos outras com um broto verde a balançar. Qual o critério de escolha? Por que uma caiu e outra ao lado resistiu? Não sabemos. O importante é que somente um ano após o grande fogo, a natureza e o ser humano estão dando mostras de sua grandiosidade de reconstrução.

Durante esta visita tivemos o prazer de conhecer um mundialmente famoso escultor chamado Bruno Torf, que há mais de 25 anos escolheu Marysville como seu lar.  Nos arredores da cidade ele mantém um sítio onde faz suas esculturas em terracota ( argila cozida a 900°C) e as coloca no meio da mata, como parte integrante da paisagem. É um parque temático onde ele mostra seres mitológicos de todo o mundo em tamanho natural. São velhos magos, xamãs indígenas, índios, gnomos, fadas, deuses da mitologia celta e antigos povos originários da Austrália, Nova Zelândia e muitas outras regiões do mundo.

Você anda pelo bosque e de repente encontra estes seres ao seu lado, nas mais diversas posições. A realidade é tamanha, que você sente que entrou em outro mundo e que é um visitante privilegiado e bem vindo. A magia do local e dos personagens te contagia de tal forma, que o tempo deixa de existir e você parece entrar em outra dimensão. O fogo destruiu metade de todas as esculturas, mas as que restaram, estão sendo restauradas pelo artista. Como são de terracota, o fogo as deixou pretas, deformadas, com a superfície toda rugosa, mas passíveis de recuperação.

Bruno nos contou que escapou da morte ficando no centro do pequeno campo de futebol da vila, junto com dezenas de pessoas. Ficaram mais de 10 horas sob um calor intenso, enquanto o fogo passava ao redor do campo e destruía toda a vila. Este foi um dos raros locais que as pessoas tiveram para salvar suas vidas. Quem tentou sair de carro pela estrada, morreu queimado, pois o fogo se espalhou a uma velocidade de 100 Km/h e foi impossível escapar. Bruno contou que quando o resgate chegou, levou todos os sobreviventes para outra vila e lá ficaram por cerca de dois meses, período em que  Marysville ficou fechada e só a polícia entrava na cidade para  procurar e recolher todos os corpos queimados e investigar as causas do incêndio. Ainda hoje, um ano após a tragédia, ainda existem trechos de estrada fechados, pois são considerados como “cena de crime”. Apesar de muita gente afirmar que este incêndio teve uma origem criminosa, suas causas até hoje não foram esclarecidas e a conclusão oficial é de que foi um descuido fatal.

Quando Bruno retornou com os demais moradores, das 200 construções existentes na vila, somente 12 estavam de pé e foram raras as famílias que não perderam alguém na tragédia. Naquele ambiente caótico, decidiram virar a página e trabalhar na reconstrução. Não faltou ajuda de todos os pontos da Austrália e hoje, a vila é um enorme canteiro de obras. Ao seu lado, a paisagem verde volta triunfante em locais considerados impossíveis de se nascer alguma coisa e encoraja o homem! A vila se transformou em uma só família de sobreviventes e a verdadeira solidariedade humana deu energia neste momento crítico de suas vidas. Eles olham para as árvores pretas e queimadas e vêem os arbustos nascendo. Eles entendem o sentido da ressurreição e levantam mais uma casa!

Marysville hoje é a testemunha viva do milagre da vida e da perseverança do ser humano. Repetindo o que já escrevi no primeiro artigo: “Que pelo menos a tragédia de Marysville nos ajude a despertar e compreender que precisamos estar em estreita comunhão com a Natureza. Se isto acontecer, as mortes daquele dia não terão sido em vão e talvez seus espíritos possam descansar em paz!”